Como se comportar em situações de conflito

Inicio essa publicação, expondo minha definição sobre o termo “conflito”: o conflito é a divergência de interesses, opiniões, visões de mundo, enfim, o choque entre dois “modelos mentais” diferentes, no momento em que há uma disputa pela razão no lugar de uma busca por solução. Então como se comportar em situações de conflito?

1 – O que leva ao conflito ?

O principal fator gerador de uma situação conflituosa é a inflexibilidade de uma ou mais pessoas, quando essa inflexibilidade almeja simplesmente a imposição de uma ideia ao invés da exposição da mesma para encontrar algo maior que as próprias aspirações em uma determinada circunstância: a construção de algo que beneficie ao conjunto maior e aos anseios desse conjunto. Os interesses coletivos devem ser priorizados em relação aos interesses individuais.

Talvez, ao ler esse texto até aqui, você possa estar pensando: “mas isso, grande parte das pessoas já sabe”. Se isso passou pela sua mente, eu deixo a seguinte pergunta: então, porque os conflitos são uma constante na vida das pessoas ?

A resposta está no que chamamos de “modelo mental”. Podemos definir o “modelo mental” como o Universo exclusivo, único e infinito, existente entre suas duas orelhas.

Em outras palavras, o “modelo mental” é a maneira como uma pessoa interpreta o mundo à sua volta, dando significado aos fatos segundo suas próprias experiências anteriores, uma vez que não percebemos o mundo como ele é, mas como nós somos e estamos em um determinado momento da nossa vida.

Tudo o que você viveu até esse momento da sua vida, construiu seu “modelo mental”. Tudo o que você associou à “dor” ou “prazer” na sua jornada chamada vida, o solidificou.

Vamos entender melhor:

2 – Filtro G.O.D.

Todos nós temos nosso filtro G.O.D.. Esse filtro é uma barreira que busca dar significado à uma situação, embasado em tudo o que vivemos no passado. O acrônimo G.O.D. significa: Generalização, Omissão e Distorção.

Entendendo melhor:

Generalização: costumamos generalizar algo com embasamento em experiências anteriores. Ex.: “todo muçulmano é terrorista”, “todo político é desonesto”, etc..

Ao generalizarmos, colocamos inconscientemente, uma barreira para nossa flexibilidade e boa vontade para dialogar com outras pessoas, pelo simples fato de as associarmos, de acordo com nossas experiências anteriores, às situações vividas no passado, parecidas com as vividas atualmente.

É uma gigantesca muralha para a comunicação efetiva, com grande potencial de gerar climas conflituosos, na vida pessoal ou profissional. É a matéria prima do pré-conceito, ou seja, conceituar algo previamente, sem embasamento para tal.

Omissão: omitimos parte do que queremos comunicar. Ex.: “por favor, pegue a coisa, de fazer negócio, ao lado do troço, em cima do treco”.

Muitas vezes, exageros à parte (será ?), ao comunicarmos algo, cometemos essa “aberração na comunicação”, com maior ou menor intensidade, promovendo comandos confusos para as outras pessoas, que para nós, estão muito claros. Na mente de quem omitiu várias informações na frase acima, a “coisa”, o “negócio”, o “troço” e o “treco” estavam bem definidos, mas e para a pessoa que ouviu ou leu isso ? No final das contas, essa situação costuma terminar em conflitos por falha na clareza da informação transmitida. No final, uma pessoa falou claramente sobre algo para outra pessoa que entendeu perfeitamente o que foi dito, mesmo havendo mensagens completamente diferentes na mente de cada um. Isso ocorre porque, graças à Generalizaçãoo ouvinte nesse diálogo, completou a informação omitida com o que estava no seu próprio “modelo mental”, ao invés de completar com o que estava no “modelo mental” do orador. O resultado: “mas eu expliquei tudo para você…#@&*#!”.

Distorção: após vermos a Generalização e a Omissão, criamos a base para percebemos nossa capacidade de distorcer a realidade à nossa volta graças às generalizações que fazemos, omitindo informações e completando com algo que só existe em nossa mente.

Esses três itens explicam como os conflitos geralmente se formam. Falhas na comunicação, fomentadas pelas generalizações, omissões e distorções.

3 – Como evitar ou se comportar em situações conflituosas ?

Essa resposta passa obrigatoriamente pelo desprendimento do próprio “modelo mental”, tornando-se uma pessoa mais flexível em relação às opiniões, valores e comportamentos alheios, evitando julgamentos uma vez que nós só conhecemos nossas próprias verdades, uma vez que se todos conhecessem a “verdadeira verdade” sobre algo, não haveria desentendimentos por todos acabarem concordando em tudo, em todos os momentos.

Sempre que o conflito estiver presente, faz-se necessário evitar querer ter a razão, uma vez que alguém sem essa informação que você está adquirindo ao ler esse texto, buscará “estar certo” a todo custo nessa situação. Quando uma pessoa não quer deixar de ser o “dono da verdade”, até a verdade que ele acredita pode ser distorcida para se adequar ao seu conforto emocional ao vencer uma discussão. Enfim, a mãe da arrogância. Como dizem: deixe a razão para quem a quer mais do que a felicidade e seja feliz…

O importante para sua felicidade não está na opinião alheia, mas nos seus sentimentos internos que geram emoções, que produzem comportamentos, que criam suas capacidades, proporcionando seus resultados, formando suas crenças e, finalmente, construindo sua identidade, essa sim, construtora da vida que você viverá daqui por diante, ou seja, uma cadeia de processos internos, independentes da opinião alheia. Onde estiver seu foco (em você ou nos outros), ali estará seu resultado. O resto, é uma questão de escolhas, suas escolhas: paz interior ou conflito, razão ou felicidade. O silêncio muitas vezes, pode ser o brado da sabedoria…

Mantenha-se acompanhando o nosso blog para ter acesso a mais informações como essa. Aproveite e compartilhe esse texto com as pessoas com quem você convive e conhece. Esse compartilhamento pode eliminar muitos conflitos entre vocês (rsrsrsr).

Deixe um comentário